Dislexia só para maiores

É engraçado como as pessoas ficam confusas quando a frase não termina do jeito que elas periquito

É engraçado como as pessoas ficam confusas quando a frase não termina do jeito que elas periquito

Bom gente, meu nome é Alberto Portugal, e é comum que muita gente coloque uma letra U no meio do GAL no fim do meu nome. Aí fica assim: Alberto PortuGUAL. Eu nem ligo. O mundo inteiro comete erros, e não é de se admirar que com uma língua tão complexa quanto o Português brasileiro nós erremos mais ainda.

Quando o Fábio (fundador do site) me contou da idéia (que agora escreve-se sem acento no E: idEia), me empolguei muito, porque eu tenho vinte e cinco anos e não aguentava mais procurar sobre dislexia na internet e encontrar atividadezinhas feitas por psicopedagogas para crianças de cinco anos. Não senhores! Não, não e não!

A dislexia não é propriamente uma doença, e não atinge só crianças, porque as crianças crescem e se tornam adultas. Não senhores! Ela não vai passar, não vai se curar, não vai desaparecer como o seu dinheiro no fim do mês! A dislexia não tem explicação (a não ser aquelas científicas sobre lados do cérebro, armazenagem, e todo outro tipo de lenga lenga que só interessa aos pais desesperados e aos cientistas).  A gente, que é disléxico, nem deve se preocupar com isso, porque já temos que entender tanta coisa que para os outros é comum e pra nós é uma equação de álgebra do lado avesso.

Ninguém tem obrigação de entender. Nada. Absolutamente nada. Claro, no meu caso eu tive obrigação de aprender a prestar atenção onde deixava o carro estacionado, o caminho de casa, o número do meu telefone pra caso acontecesse uma emergência. Mas se a gente parar pra pensar que fala-se tanto em inclusão, em respeito ao próximo, em igualdade, a gente se dá conta que não tem obrigação nenhuma de fazer parte do grupo dos inteligentes. 

Enquanto rolam boatos que é proibido reprovar alunos do ensino fundamental, porque isso pode causar um estrago emocional e social sem tamanho nos pequenos indivíduos, e vê-se brotarem psicopedagogos nas escolas do Brasil todo, percebe-se por outro lado que o adulto disléxico está a ver navios… Temos conhecimento que Einstein era disléxico. Sabemos que muita gente importante por aí trocava o P pelo B, e o N pelo M… e fazia confusões ortográficas, fossem orais ou escritas, absurdas.

E a proposta deste grupo é exatamente esta. É reunir, amparar, discutir e conhecer disléxicos adultos, que um dia foram crianças com ou sem suporte especializado, mas que hoje cresceram e têm suas dificuldades, mas não param nunca de seguir em frente.

Meu nome é Alberto Portugal (sem aquele UAL que eu falei no começo do texto), estou terminando minha terceira formação superior, sou disléxico, não entendo patavinas de números, troco algumas palavras; De vez em quando gaguejo. Falo palavrão pra caramba quando não encontro uma palavra “X” no meu dicionário mental. Já apresentei trabalhos na faculdade trocando oitenta por cento das palavras. Uma vez apresentei modelos de maçanetas, chamando uma por uma por sabonete. Minha vida é um eterno aprendizado, e eu quero dividí-los aqui com você.

Inteligência pode ser com G ou com J. Capacidade pode ser com S ou com C. O que importa de verdade não é a representação, mas sem dúvida o conceito.

Blog do Beto http://diariodeumdislexico.albertoportugal.com.br/

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11 comentários sobre “Dislexia só para maiores
  1. Geovanice Melo disse:

    Olá Alberto Portugal, finalmente achei uma pessoa adulta que sabe e convive com dislexia e o interessante levar a vida da melhor forma possivel. Sou capitã do Corpo de Bombeiros Militares da Bahia e 6º ano de medicina e nesta duas profissões está sendo dificil ter dislexia e conviver com colegas e professores, mas o que magoa ou melhor que me deixa angustiada é ouvir cometários de meus professores médicos, dizendo que eu não estudo, não serei uma boa médica, porque não estou sabendo apresentar um caso clinico, ou ouvir da minha orientadora de TCC afirmar que eu fiz plagio pois eu não estou sabendo argumentar o trabalho, é um sofrimento. É triste ser taxada assim na profissão que eu escolhir, apesar de que, quando estou com o paciente me sinto a vontade consigo fazer o diagnóstico, conversar, traçar plano terapeutico, criar uma boa relação médico-paciente, porém há um abismo em discutir com meus preceptores (médicos/professores). Minhas notas são baixas a medias e quando consigo boas notas professores e colegas acham que usei meios ilicitos para isto. Alguns colegas fazem gozações de mim pq troco os nomes, gaguejo, etc. Pode ser que vc esteja até perguntando, e na hora de prescrever, pode errar no nome do remedio, eu penso nisto a todo momento e quando estou na pratica isto não chega a ser um problema pois verifico os nomes e escrevo direto e procuro ser bem legivel e a respeito disso já presencie medicos e residentes deixando prescrições e prontuários cheios de erros, não ortográficos e sim de processos e procedimentos medicos. É claro que a minha consulta constuma ser demorada por conta disso. PARABÉNS PELO TEXTO E DESCULPE O DESABAFO!!!!

    • Isabella disse:

      Boa Tarde, vi o comentario de Geovanice Melo e me identifiquei muito. Dês de pequena que tenho dificuldade para falar em publico, interpretação de texto, escrever certo, quando ia aparesentar um trabalho gaguejava muito, tinha muita dificuldade em matematica ainda tenho, nunca decoreia a taboada, sempre gaguejei para ler, minha letra sempre foi feia hoje ate que melhorou. Dês de pequena coloquei na cabeça que eu era burra. Hoje sou estudante de famácia estou no quarto periodo. Estudo muito todos os dias. Vou para casa de amigas estudar e mesmo assim fico sempre em recuperação. Minhas notas sempre baixas todo mundo pensa que sou eu que não quero nada com os estudos, que eu não estudo o suficiente. Minha amigas acreditam em mim mais sempre dizem que tenho que prestar mais atenção nas coisas. Eu esqueço quase tudo que aprendo na faculdede, não sei por que. Estou muito triste por ser assim queria estudar e ver o resultado do meu esforço nas provas mais parece que quanto mais estudo mais burra pareço ser no olhar dos outros. Eu não sei se tem tratamento mais acho que só Deus para me dar disernimento. Pior é que ninguém me entende, mais tem uma coisa que aprendi e nunca esqueço ( Ninguém vai entender o tamanho de sua dor ate passar pelo mesmo) Só Deus sabe o que passa no meu coração!

  2. Raquel disse:

    boa tarde,
    sou portuguesa, mas tal como tu ao pesquisar na net sobre dislexia, só me aparece artigos relacionados com crianças. Eu não tenho nenhum diagnostico médico, pois tenho 33 anos e na altura em que fui criança não se deva falar disto, mas sempre me questionei porque de tantas trocas de letras, e dizia sempre se soa a “z” porque é que tem que ser “s”….Bem a minha duvida é se foste diagnosticado e se fizeste algum tipo de tratamento
    obrigada

  3. Fernanda nogueira disse:

    Boa Tarde sou empresária do ramo vidreiro, sou responsável no setor financeiro da minha empresa ( o my god) …. sou dislexica descobri a uns 7 anos, mas nunca dei atenção pois minha filha foi diagnosticada então quis cuidar somente dela… enfim sei que tenho essa disfunção, pessoas como nós eu sofre preconceito isso é muito triste as escolas não estão preparadas eu eu me policio dia a dia pra não cometer confusões e esquecimentos… é uma luta diária… os amigo riem das minhas confusões a gente e tido como engraçado e tal… mas enfim só eu sei o que é e não me culpo apenas vivo o dia a dia tentando não me confundir demais na hora de fala e escrever e pensar, tenho momento de depressão pois me cobro muito exijo o maximo de mim mesma, sinto que eu poderia sofrer menos e se nao fosse essa exigencia, ninguem precisa ser perfeito, eu me esforço pra ser boa só isso…Que Deus me ajude.

  4. Magali disse:

    Boa tarde, eu me chamo Magali sou Dislexias, ais minhas deficiente é muito grade por cota disso tenho depressão, me formei em Técnica em Nutrição mas não consigo trabalho sofro muito muito, preconceitos de toda parte estava fazendo tratamento com uma medica quado tava todo proto para me da o diagnostico ele mim deixo na mão saiu do plano a te hoje não consigo um outro, moro em Recife as faculdades me ingu inora completamente ler e escrever pra mim e uma verdadeira tortura meu filho é quem me ajuda. obrigada

  5. Valeria Cristina dos Santos Pereira Felipe disse:

    Passei por tantas dificuldades quando estudava, me achava burra.
    Hoje já estou com cinqüenta e um, e nunca fiz teste para saber ao certo se sou. Mas pelas informações apresentadas sou mais uma. Troco o “f” por “v”, o “t” por “D” e por aí vai. Fico muito envergonhada quando isso acontece. Me esforço pra corrigir esse erro, mas muitas das vezes passa por despercebido. Gostaria muito de melhorar de ter algum tipo de ajuda. Obrigada.

  6. beatriz disse:

    Olá , minha filha teve diagnóstico tardio de dislexia aso 16 anos . O estrago já estava feito , nunca recebeu ajuda adequada e hoje se depara com uma grande dúvida. Não tem nada na escola que aponte uma possível facilidade em alguma área de atuação , logo vai fazer vestibular. Em que áreas profissionais o dislexico pode produzir melhor??Abraços

  7. Denilson B. Esposito disse:

    Alberto, estou feliz em encontrar esta página. Meu vem apresentando dificuldade e aprendizado, e ao pesquisa, comecei a ler sobre dislexia, fique chocado, pois os sintomas relatados não encontrei em meu filho mais em mim, isso me deixo em choque. Estou buscando ajuda aqui no Rio, já fiz contato com algumas instituições a busca de ajuda para meu diagnostico final. Bem estou feliz em encontra vocês.

    Att.
    Denilson B. Esposito

  8. Lucila disse:

    Não desista e encontre algo que possa faz com alegria que certamente o retorno financeiro virar, quando alguem observar sua troca informe a todos que tem dislexia e não é burra. Um abraço de mãe de uma moça que também tem dislexia, ela faz tratamento com Fonodiologa e melhorou muito, beijos.

  9. Isabella disse:

    Boa Tarde, vi o comentario de Geovanice Melo e me identifiquei muito. Dês de pequena que tenho dificuldade para falar em publico, interpretação de texto, escrever certo, quando ia aparesentar um trabalho gaguejava muito, tinha muita dificuldade em matematica ainda tenho, nunca decoreia a taboada, sempre gaguejei para ler, minha letra sempre foi feia hoje ate que melhorou. Dês de pequena coloquei na cabeça que eu era burra. Hoje sou estudante de famácia estou no quarto periodo. Estudo muito todos os dias. Vou para casa de amigas estudar e mesmo assim fico sempre em recuperação. Minhas notas sempre baixas todo mundo pensa que sou eu que não quero nada com os estudos, que eu não estudo o suficiente. Minha amigas acreditam em mim mais sempre dizem que tenho que prestar mais atenção nas coisas. Eu esqueço quase tudo que aprendo na faculdede, não sei por que. Estou muito triste por ser assim queria estudar e ver o resultado do meu esforço nas provas mais parece que quanto mais estudo mais burra pareço ser no olhar dos outros. Eu não sei se tem tratamento mais acho que só Deus para me dar disernimento. Pior é que ninguém me entende, mais tem uma coisa que aprendi e nunca esqueço ( Ninguém vai entender o tamanho de sua dor ate passar pelo mesmo) Só Deus sabe o que passa no meu coração!

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